Show Djavan em Amsterdã

Djavan – Eu comporei e cantarei até o fim da minha vida!

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Charmoso, chegou de mansinho e elegante para a coletiva de imprensa com os jornalistas brasileiros e holandeses no Muziekgebouw Aan Het IJ como parte do Festival Viva Brasil de Gracia Caffe e Alaor Soares. Foto abaixo Cristiane Bueno.

Com simpatia e simplicidade respondeu a todos de forma espontânea e simples. O compositor e um dos maiores músicos brasileiros Djavan esteve em Amsterdã no último domingo (06/07).

Falou sobre sua carreira, futebol, amores, política, discografia, vida familiar, sobre sua mãe e o pai que era metade holandês. Quando perguntei onde ficava a Rua dos Amores (título de seu novo CD), respondeu que todos temos esta rua dentro de nós e ela tem várias entradas e saídas…

“Eu tenho esta inquietude de estar fazendo…de estar buscando novidades…novas sonoridades. Só quero que Deus me dê saúde que o resto eu faço!”

Após cinco anos, lançou em setembro do ano passado o CD Rua dos Amores, com mudanças significativas tanto na formatação do novo álbum quanto do show. Buscou a banda que o acompanhava até 15 anos atrás e começou a turnê.

A formação
“Eu tive uma formação bem diversificada! E sempre uma curiosidade imensa pela diversidade. Buscava desde o início da minha adolescência, saber como se faz um bolero, um jazz, a música flamenca, africana, a brasileira de um modo geral, tanto a nordestina como a do sudeste; eu queria saber a diferenciação entre uma coisa e outra-, então era uma grande curiosidade o que acabou originando na música que faço-, que decorre desta formação e acaba atingindo um público diverso.”

Os projetos
“Quero acordar todo dia com um projeto novo, descobrir, aprender e estar sempre aberto para o que vier. Sou muito curioso. Tenho uma impetuosidade pela vida, pela novidade…quero conviver com o novo, com pessoas novas, novas experiências e influências. Sou muito influenciado pelos olhos. Tudo que é belo me instiga e espero manter  essa curiosidade.”

Sobre a mãe
“A minha mãe era uma mulher incrível…sua escolaridade era pequena, mas ela tinha um saber e sensibilidade enorme. Me introduziu na música e desde cedo me apresentava a cantoras como Angela Maria e Dalva de Oliveira e depois Billie Holliday. Costumo dizer que meu canto é influenciado pela mulher. Sempre tive a sensibilidade vocal feminina. Minha mãe foi importante na composição das coisas…me ensinou a contemplar as constelações, a natureza, as matas, os nomes das plantas…”

A letra, harmonia, melodia – quem vem primeiro
“No início eu fazia a harmonia e melodia junto com a letra, depois eu passei a fazer separado. Achei que a “viagem” era melhor, porque eu acabava de ter que fazer a mesma coisa várias vezes. Tenho um zelo profundo por todas as fases-, pela harmonia e a poesia…sou apaixonado pela sonoridade das palavras, do sentido, e poder brincar com isso, é um processo completamente pessoal. Tudo meu é personalizado. Trabalho também com arquitetura e botânica. Gosto de construir e se vocês virem alguma coisa que construí virão também que tem a minha cara porque fazer uma construção é como fazer um arranjo de música. Tem princípio, meio e fim-, a cor, o brilho…trabalho com tudo isto na letra, na música e harmonia.”

No show, um roteiro de 24 músicas onde 7 são do disco novo e as outras, clássicos de todas as épocas com arranjos novos. Djavan disse que gosta de fazer novos arranjos, porque dada a sua inquietude, tem a impressão que são novas canções-, não que não goste dos antigos…mas gosta de reinventar-, sem perder a caracterização e a identificação das músicas.”

Quem abriu o show foi a cantora brasileira radicada em Amsterdã, Lilian Vieira que foi acompanhada pelo músico holandês Kees Gelderblom.

Gêneros musicais
“Gosto dos vários gêneros de músicas. A música negra, venha  ela de onde vier, tenho uma conexão natural e orgânica com ela. O jazz, a música negra americana, o black music, assim como a música da África. A música do Brasil negra a gente se conecta naturalmente. Na minha formação, você saber tocar tudo, era um valor; então não tenho dificuldades de caminhar pelos diversos gêneros musicais!”

A voz
“Tenho muita sorte! No início eu era crooner de boate e nesta fase da vida trabalhei na banda do músico Osmar Milito e ele gostava de me ouvir cantar sempre em tons muito altos. Eu vou do agudo ao grave quase a duas oitavas e meia e o faço com certa facilidade; mas eu cantava em boate, com aquele clima, todo mundo fumando-, o que era propício a doenças vocais, mas eu aprendi uma técnica para defender minha voz que salvou minha vida. Outra coisa que está acontecendo comigo é que quando você fica mais velho, a voz vai ficando mais grave, você vai perdendo o agudo, mas a minha voz está ficando mais aguda. Estou conseguindo cantar mais agudo e com muita facilidade.”

Músicas em outras línguas

Gosto de cantar em outros idiomas. Canto em espanhol, em inglês, mas não é meu objetivo e nem me atrai como carreira. Isso pode ocorrer de forma especial. O disco passado, que dediquei a canções de outros autores, eu canto em inglês e espanhol. Já fizeram muitas versões de músicas minhas nestas duas línguas, mas meu objetivo é divulgar minha língua, meu idioma que é o português-, uma língua completa e perfeita, com sensualidade e musicalidade enorme. Meu objetivo é fazer com que a língua portuguesa seja cada vez mais conhecida no mundo e me alegra muito, quando as pessoas dizem que aprenderam o português por causa da música brasileira, de ouvir meus discos etc…é como se estivesse alcançando realmente meu objetivo.”

Tocar com outros músicos

” É um sonho tocar com compositores e intérpretes que a gente admira. Vou buscar, sempre que houver oportunidade, colaborações com músicos que gosto, porque sempre acontecem coisas inesquecíveis como o que aconteceu com Paco de Lucia. Quando o convidei para tocar na música “Oceano” ele pediu para ouvir a música no estúdio e disse: Djavan, eu só sei tocar 3 acordes…sua música tem acordes demais!Eu falei: Paco, vai lá prá dentro do estúdio e toca os 3 acordes que você sabe. Ele foi lá e destruiu! Não é interessante, um músico como Paco de Lucia falar uma coisa dessas? O Stevie Wonder por exemplo chegou no estúdio, sentou ao piano e disse: deixa eu tocar umas coisas aqui…tocou Cole Porter e depois falou! Ah acabei de fazer uma música e cantou “Overjoyed”…fatos inesquecíveis, que além disso tem a participação deles nos discos que são eternas e maravilhosas! Um presente!”

Embora nem todo mundo tenha a sorte de ter os agudos do Djavan, todo mundo cantou, dançou e Caetaneou/Djavaniou; e nem todo mundo tem o prazer de conversar/entrevistar um ídolo como ele. Carismático, fofo e muito gato!

Amsterdã amanheceu mais bonita e ensolarada ao som de Djavan!

Muito bacana Gracia Caffe e Alaor Soares trazerem para a Holanda nossos ídolos que “ainda são os mesmos”.

E nós da DoBrasil Publicidade, Cristiane Bueno, Pollyane dos Reis e eu, Margô Dalla, brasileiras, jornalistas e moradoras de Amsterdã, esperamos estar juntas a vocês no Festival Viva Brasil de 2014.