O traço de Luciano Jaluciano

luciano jaluciano 1Seu traço é uma linha contínua e firme. Ele sabe onde quer parar e seguir em frente. Esquerdas e direitas são apenas um ponto de vista para continuar ou recomeçar. É assim o artista brasileiro Luciano Jaluciano! Um artista genial e intuitivo-, um homem contemporâneo que faz de sua arte uma reflexão para temas atuais como a sustentabilidade e o reaproveitamento de materiais.

Em suas obras usa o nu como elemento principal e em volta deste homem ou mulher despidos, a vida tem seu fluxo e refluxo.

Nosso encontro foi em seu atelier/casa-, um lindo “sobradadinho” bem ao estilo de Amsterdã onde prédios se espremem em pequenos espaços nos arredores da Haarlemmerdijk uma rua famosa pela irreverência de seus moradores – old hippies e novos beatniks -, suas lojas de design, os coffeeshop, antigas quitandas e o cinema The Movies, que para nossa sorte, ainda estão por lá.

Lá conversamos sobre sua trajetória!

“Gosto de desenhar pessoas e expressões. Desenhei por um tempo retratos – portraits – e pretendo voltar a fazer isso! Eu me defino como um artista plástico no que me proponho, um desenhista, um ilustrador, um grafiteiro… Quando começo uma obra, ela flui e sai de acordo com meus conhecimentos e intuições.

A técnica

“No meu trabalho junto estas técnicas e as de colagens e crio um mundo sob a perspectiva de uma pessoa despida. O personagem é sempre o ponto central!

Uso papel Canson  e Fabriano. Trabalho com canetas arquitetônicas para fazer traços pretos finos, com feltro marker pantone da letraset para dar cor-, e para um detalhe mais sensível, as canetas acrílicas molotow (alemãs) que são usadas por grafiteiros. Essas canetas são fantásticas porque dão a possibilidade de escolher diferentes larguras de feltros que ajudam na hora de preencher os espaços grandes e vazios que preciso. Desde 2009 uso este material de grafiteiros e encontrei a qualidade que procurava”.

O processo – o estilo Lucianoluciano jaluciano 2

“Fui achando a minha própria característica – as pessoas olham e dizem: isso é Luciano! Porque não tem nada igual e o meu processo é também diferente.

Para ter uma ideia do que quero fazer, desenho um pequeno croqui. Como não tenho muito espaço, eu o faço em diversas folhas. Começo pela cabeça, depois ombros e vou juntando as partes e se acontece às vezes de não gostar da proporção, refaço! A linha é contínua e o processo é direto. Tenho que ter muita segurança e visão do que estou fazendo. Junto os pedaços dos corpos nus até formar um personagem e através dele adiciono outros elementos e materiais.

Neste quadro do Rio de Janeiro, a perspectiva é o pé/a sandália da modelo que está em primeiro plano! Mostra o corpo cheio de ousadia e exibicionismo-, que está no conceito do nu/sensual, e ao redor dela, os ícones daquela cidade, como o corcovado e o pão de açúcar. O papel texturado que forma as calçadas de pedras portuguesas de Copacabana torna o movimento da obra interessante porque o observador acaba interagindo e tentando entender o material que foi usado”.

Luciano disse que este quadro foi feito quando Niemeyer morreu. Ele ficou envolvido com a perda e lembrando da relação do arquiteto com as formas femininas. Foi a inspiração! Desenhar as curvas das mulheres em uma paisagem carioca, com suas expressões, sentimentos e fantasias.

O nu/o erotismo

luciano jaluciano 3“O que eu quero mostrar em meus quadros é como nós realmente somos-, seja no belo ou no sensual, ou no que é estereótipo do que é considerado feio; um corpo aceito como ele é, sem ser importante a idade, ou o sexo. Eu retrato corpos com expressões audaciosas,  que dependendo das pessoas, choca ou não.

Porque é naquele momento que a pessoa está mostrando o sentimento dentro de uma fantasia e sem pudor-, e quando o corpo  é revelado deste jeito, sem vergonha, apenas sendo ela mesma, mesmo em um momento de fantasia, às vezes pode ter uma imagem muito explícita do sexo, da vagina, do ânus, do pênis ou dos seios.

Mas você vê erotismo em sua obra?

“Vejo o erotismo, a sexualidade, a sensualidade-, isso a gente vai ver sempre na minha obra”.

A evolução

“Achei que tinha chegado em um momento de minha vida que precisava mudar. Um tempo de reavaliação do que já vinha fazendo,  até evoluir de pequenos e médios para formatos enormes. Isso foi uma revolução dentro da técnica que eu usava e que já estava me sentindo limitado; dai parti para acrescentar as colagens através de papéis de embalagens, higiênicos, de cigarros (o laminado para dar efeito de alumínio). Essa era a riqueza que eu precisava! No entanto, levo mais tempo agora porque tenho que elaborar tudo com mais detalhes e elementos diferentes.

Estou com algumas inspirações e fruições e quero começar a usar materiais reciclados. Quero colocar meus personagens despidos, em outro contexto, em outra perspectiva e encaixados em composições futuristas, no lixo e no meio ambiente através de cenários amazônicos.

Meu olhar está direcionado para este contexto agora. Uma viagem futurística realística. Através do nu, quero discutir todos esses assuntos contemporâneos.”

Após passar por um problema de saúde muito sério o artista repensou sua vida e que mexeu em suas emoções. Sem poder voltar ao mercado de trabalho,  se conformou e partiu para outro desafio. Com a ajuda e incentivo de  amigos, começou a fazer pequenos portraits e a partir daí disparou, encontrou seu caminho e passou a produzir um material sensível valorizando os traços, trabalhando cores e formas.

Sobre qual quadro gosta mais disse que a obra abaixo chama-se “Mundo da Lua”, e são dois personagens juntos e colocados em um mundo meio abstrato. Gosta do colorido no rosto porque foi feito no período de hallowen. Os seios e o sexo estão descobertos e na composição adicionou planetas, o lobo uivando que representa o cio-, a vontade do sexo…a lua cheia, e é como se a modelo estivesse olhando para o céu e observando as estrelas. Gosta dos modelos desta obra porque estão descontraídos e em uma noite em que se está muito à vontade e num mundo de fantasia. Disse  que cada obra um representa um momento de sua vida com suas inquietações e paixões.

O artista emprega etiquetas de ligações, ou selos como recurso gráfico que ajudam a unir pontos.  Quando muitas linhas se cruzam, este é o recurso. Ele não usa borrachas e não existe a possibilidade de passar uma tinta sob as linhas porque essas são em preto e não apagam. Suas obras tem variados tamanhos-,  de 26 cm a 1.90m. Atualmente ele está com uma exposição junto a outros artistas na Gallerie Lokaal VW15, localizada à Wormerveerstraat 15. São 13 quadros e a mostra fica até o dia 03 de março.

Você também pode agendar uma visita a seu atelier.

Visite web site de Luciano http://jalucian8.wix.com/jaluciano

+ fotos https://flic.kr/s/aHsjE4Lunh

Assista vídeo do artista trabalhando