por Júlia Abreu de Souza e Margô Dalla


"Eu te desafio a me amar" - Projeto da artista visual Diana Blok

Diana é uma mulher com lindos cabelos grisalhos, feições delicadas e de intensos olhos azuis. Ela nos recebeu em seu estúdio em Amsterdã em um domingo do outono holandês e falamos com ela em holandês, espanhol, portunhol e inglês. Uma mulher refinada, engajada, que consegue enxergar o ser humano em seus diversos movimentos e sabe que a cada um cabe fazer a sua própria escolha. Foi esse engajamento e olhar que a fez retratar o universo de travestis, transexuais, gays e lésbicas. Da Turquia saiu o primeiro projeto, See Throught Us, exposição e livro, o que também faria no Brasil, com o título Eu te desafio a me amar, em que retrata trans e gays, além de realizar ensaio fotográfico de cross-dressing (vestir-se como o sexo oposto) com nomes conhecidos do grande público na televisão e cinema — está produzindo atualmente o Monólogos de Gênero, que terá fotos e vídeos.

"Eu te desafio a me amar"

Margô, Diana e Júlia no estudio da fotógrafa em Amsterdã.

Temos que nos dar conta de que, todos: o pobre, o mendigo, as prostitutas, os transexuais, os gays, os milionários, eu, você, estamos todos conectados.”

A primeira vez que coloquei o pé no Brasil eu tinha 4 anos e foi na Bahia de Todos os Santos, em Salvador. A gente viajou de barco do Uruguai para a Colômbia e nesse trajeto aconteceu uma parada de vários dias no Brasil. Tenho várias memórias, diria, surrealistas desta primeira visita. Depois de alguns anos voltei várias vezes à Bahia. Em 2002, tive o privilégio de fazer uma fantástica Residência Artística na Fundação Sacatar na Ilha de Itaparica. Me enamorei e fiquei fascinada com tudo que vi e vivi com as pessoas. Nessa época as memórias “surrrealistas” que tinha, se tornaram “realistas”.

Nasci no Uruguay. Meu pai, holandês, judeu, foi um feminista, mas não era consciente disso, minha mãe argentina, católica, de descendência espanhola/italiana, de mente aberta, mas quando o assunto era sobre suas filhas, era conservadora. Ele era diplomata e por isso, dos 4 aos 12 anos, morei em alguns países em guerra civil. Isso nos anos 60, 70 como a Colômbia e Guatemala.  A violência  estava sempre presente, haviam sequestros, as pessoas  desapareciam, as diferenças sociais eram enormes…Era tudo muito complicado…, mas apesar disso eu ainda tenho um profundo amor tanto pela Colômbia, quanto pela Guatemala.

Isso foi marcante na sua vida.

Claro! Na Guatemala  haviam mortes, toques de recolher, assassinatos a sangue frio. Tinha um lado meio de aventura, às vezes não podíamos voltar para casa e dormíamos em casas das amigas, mas sair de noite, ir a discotecas, não dava.. Sabíamos de sequestros e assassinatos de embaixadores como o americano, alemão, amigos dos pais…Isto tudo me marcou.

E a mudança  para a  Holanda?

Uma diferença enorme!  Sair sozinha aos 23 anos, de  bicicleta, chegar em casa de madrugada… A  liberdade que senti foi imensa!  Será possível, eu me perguntava, ter a vida tão segura deste jeito? Um contraste muito grande, eu podia me expressar como fotógrafa, aqui eu me encontrava com outros artistas, gente que pensava como eu, parecia que saia da sombra e entrava na luz… Meu ser mais rebelde veio à tona…

"Temos que nos dar conta de que, todos: o pobre, o mendigo, as prostitutas, os transexuais, os gays, os milionários, eu, você, estamos todos conectados."

Diana Blok – Foto Margô Dalla

E foi assim que começou a fotografar?

Estava estudando História de Arte, queria me expressar como artista, mas não tinha ainda encontrado a minha fórmula, ficava chateada com o estudo, não falava bem a língua; um dia eu estava desenhando à minha moda, aí pensei:acho melhor sair da universidade para aprender a desenhar, mas vai levar mais 5 anos até eu ser capaz de fazer isso. A fotografia é imediata, posso construir e transferir uma ideia partindo da imaginação e da forma. Comecei a observar os fotógrafos, estudar sobre eles, fui assistente de alguns muito conhecidos e aprendi a técnica. O conteúdo de meu trabalho era uma busca independente deles. Foi uma decisão definitiva, profunda e rápida. Não sou uma acadêmica, sou autodidata.

Você tem muitos autoretratos, uma forma de se conhecer melhor? A foto em que está de bigodes, vestida com um terno com uma mulher nua ao lado, era uma provocação?

Não, foi uma forma de autoconhecimento. Quando  se é jovem, a grande pergunta filosófica é descobrir quem você é. Segui carreira sozinha.. Hoje sou outra pessoa. A foto de bigodes era mais uma forma de investigar, de explorar, um diálogo comigo mesma, quem sou eu e foi realizado com outra pessoa, para sair do meu mundinho, era uma forma de sair dos padrôes de gênero.   As fotografias eram feitas com pessoas que estavam bem pertinho de mim. Desenvolvia minhas próprias ideias e conceitos. Não gostava de trabalhar com fotos encomendadas.

"Temos que nos dar conta de que, todos: o pobre, o mendigo, as prostitutas, os transexuais, os gays, os milionários, eu, você, estamos todos conectados."

Auto-retrato – Exposição em Amsterdã

Como chegou ao tema da transexualidade?

Começou como um processo durante minha carreira…conceitos acumulados, retratos antigos, escolha da orientação sexual e descoberta desse mundo,  sempre  foi uma parte do meu trabalho, uma busca da diversidade sexual e dos gêneros, mas em 2007, discutia-se a inclusão da Turquia na Europa. Foi o primeiro encontro profundo e significativo do mundo dos transexuais e travestis-, comecei a pesquisar como era a situação das pessoas que tinham outras orientações sexuais. Transexuais, gays, homens, mulheres, travestis, tudo que se desviava da fórmula heterossexual,  “normal”, queria saber como eram as pessoas em outras partes do mundo. Li um artigo que dizia que na Turquia  haviam  shows de travestis, muitos gays e  comparando a vida noturna de Istambul com Berlim e Nova York. Fiquei curiosa, recortei e guardei…

Depois, soube que uma fundação para as artes holandesa dava subsídios para  artistas criarem projetos. Nessa entidade havia uma proposta diferente das demais e fiquei interessada nesse desafio. A seleção era feita por um sistema especial, um exame oral,  tínhamos 20 minutos para mostrar o material, expor  o projeto, a imagem, etc… Os jurados eram oito pessoas importantes no campo das artes, jornalismo e política. Tínhamos um mês para nos candidatar e preparar! Eu peguei aquele recorte de jornal e me lembrei de uma fala de Marina Abramovic  (artista Sérvia que faz performance). Quando eu lhe contei que tinha muitas ideias, ela disse: eu sei quando tenho que realizar uma ideia, é quando tenho medo dela e a minha pele fica arrepiada. Eu expus o meu projeto e fui aprovada por unanimidade; foi na Turquia que tive o primeiro confronto com a vida de transexuais e travestis-, ai aprendi que um travesti no Brasil e na Turquia é uma pessoa que tem sexo masculino mas que tem também peitos e aparência de mulher como um hermafrodita. Eu sempre pensei que um travesti era um homem que se vestia como mulher.

"Temos que nos dar conta de que, todos: o pobre, o mendigo, as prostitutas, os transexuais, os gays, os milionários, eu, você, estamos todos conectados."

Da série “Eu te desafio a me amar”

Então, em  2008 foi para a Turquia..

Sim,  eu dava aulas na Academia Real de Artes Visuais em Den Haag e tinha uma estudante turca que me acompanhou como assistente para o projeto, o que facilitou porque ela falava turco e já tinha alguns contatos com uma pequena organização LGBT em Ancara . Havia  alguns órgãos apoiando o movimento. Fizemos uma reunião naquela cidade, e apareceram vários tipos de pessoas…  Gays, lésbicas, transexuais, homens, mulheres, gente corajosa vivendo em um país  machista onde havia muita repressão e aí foi o começo. O projeto na Turquia foi um sucesso e aconteceu em Ancara e vários anos depois em Istambul, mas foi difícil. Fazer é uma coisa, mostrar é outra. Tive que passar pelo crivo de muitas comissões, ninguém queria uma exposição e falar sobre o tema, também mostrei na Holanda e em outros lugares, publiquei um livro que foi muito apreciado cujo nome é “See Through Us”.

E aí veio o Brasil..

Em 2010, conheci Nayse Lopez diretora do “Panorama de Dança  (um projeto internacional), baseado no Rio de Janeiro. Eu a conheci em Amsterdã e  ela viu o livro da Turquia e me  convidou para o festival “Panorama” no Rio onde  eles têm um escritório  na Lapa,  lugar onde muitas prostitutas/travestis circulam. Ela se inspirou em meu livro da Turquia e sonhou com um projeto  onde o mundo dessas pessoas e o nosso, fosse mais transparente e integrado; e aconteceu de algumas dessas pessoas participarem do festival. Foi um encontro genial e único  com esse mundo tão complexo e escondido.

Abordava as pessoas na rua?

No Rio, precisava de um assistente que conhecesse  o mundo dos travestis.

Saía  às ruas,  com o livro da Turquia mostrava o tipo de trabalho que gostaria de fazer com eles, mas precisava de alguém para me acompanhar -, então um amigo uruguaio me apresentou ao João Do Corujão,  professor universitário de literatura, ótimo. Ele me ajudou muito, me apresentou um amigo chamado Rollo, um carioca que conhecia muitas pessoas, virou meu assistente e compartilhava a curiosidade e desejo de saber mais sobre esse mundo. Aí tudo mudou.

"Temos que nos dar conta de que, todos: o pobre, o mendigo, as prostitutas, os transexuais, os gays, os milionários, eu, você, estamos todos conectados."

Da série “Eu te desafio a me amar”

Foi a sua introdução ao mundo dos travestis

É, mas Rollo Roquenrolo não era travesti, conhecia poucos, falávamos diretamente sobre o projeto nas ruas da Lapa;  uma coisa levava a outra. Conhecemos um porteiro que sabia de um prédio onde moravam travestis, cerca de vinte pessoas, em frente à casa da Luana Muniz, um travesti famoso do Rio.

Uma forma muito direta…

Sim, muito orgânica e muito direta e assim foi-se formando o grupo.  No evento do Panorama, com vários artistas internacionais, eu fazia parte de “Composições Políticas”-, um projeto dentro do festival dedicado ao cruzamento entre arte e política.

Em algum momento se sentiu ameaçada?

Na Turquia me senti um pouco insegura no início, por causa da língua e a polícia era virulenta. A manifestação de Gay Pride não tinha nem 1000 pessoas na rua, e a policia não deixava eles desfilassem, eu  fiquei me sentindo como um sanduiche entre os travestis e a polícia turca,  mas me senti protegia por eles.

No Rio, carregava sempre as minhas câmeras, os táxis nem sempre queriam me deixar na porta da casa onde morava em Santa Teresa, muitas vezes  ia sozinha, ou com um assistente. Com ou sem equipe, o fotógrafo sempre corre perigo, mas em Istambul não existe o grau de violência do Rio.

A partir daí surgiu outro projeto…

Em 2013 eu estava em Brasília para falar sobre o projeto “Adventures em Cross-casting” com a Embaixada da Holanda e Cena Contemporânea e carregava comigo o livro sobre a Turquia. Uma pessoa da seção  cultural da Embaixada, gostou do livro e falou que o projeto era importante  por causa da crescente violência contra LGBT no Brasil, e o um assunto valia um projeto. Na ocasião, eu estava acompanhada de Iara Pietricovsky do Instituto INESC (Instituto de estudos socioeconômicos). Assim, começamos o projeto de fotografia e vídeo “Eu te desafio a me amar” e a exposição no Museu Nacional de Brasília. Atualmente está em Amsterdã. Em Brasília, também tive muito apoio.  Precisava  de contatos através de produtoras, instituições sociais. Conheci uma mulher, de coração grande, Ana Carolina da Silva. Ela faz um trabalho social importante, com pouca verba e muita convicção. Abriu as portas para mim, participou do projeto, está no filme… Uma pessoa leva a outra.

E o projeto Cross-casting com artistas brasileiros como aconteceu?

Fiz com artistas conhecidos,  entre eles, Camila Pitanga, Mateus Nathergale, Enrique Dias, Bárbara Paz e Iara Pietricovsky do INESC, que também é atriz, que se transformavam em personagens (entre outros) como Luz Del Fuego, Fernando Pessoa, Andy Warhol e Maria Antonieta . O embaixador holandês na época, Kees Rade, casado, com filhos, pediu  para ser  fotografado retratando Maria da Penha (a brasileira da lei), mas ele era um holandês altíssimo, branquíssimo, de olhos azuis, ficou difícil fazer o cross-dressing  dele como a mulher brasileira e então escolhi retratá-lo como Virginia Wolf e o resultado ficou ótimo.

Embaixador Kees Rade

Embaixador Kees Rade

 

Cross-casting

Bárbara Paz

"Temos que nos dar conta de que, todos: o pobre, o mendigo, as prostitutas, os transexuais, os gays, os milionários, eu, você, estamos todos conectados."

Iara Pietricovsky

Novas ideias?

Do cross casting nasceu  Monólogos de gênero, com atores e atrizes. Com o mesmo conceito, eles constroem personagens que sonham personificar o sexo oposto e teatralizam. Vou filmar, fazer uma Instalação e filme. Estamos no início, já tenho uma parte do projeto financiado pelo governo holandês.

O que sente fotografando as pessoas? Compaixão, admiração?

Dialogando. Eu tenho que ter interesse na pessoa fotografada, sentir que posso atravessar certas barreiras. Quero obter um diálogo interior, revelador sobre as pessoas, baseado na confiança. Construí esse caminho ao longo da minha carreira. O respeito pelas pessoas  da forma que elas se afirmam, com beleza, mas de um jeito sócio político pois no final das contas se trata disso.

Os travestis encaram, criam um personagem…

Sim, é a vida deles. Outro dia, conheci um homem vestido de mulher, muito exagerado, alto,  bonitinho que  disse: normalmente sou um menino, não me reconheceriam. Isso me fascina, alguém que se pode transformar, imitar mulher ou homem. Eu pessoalmente não faço isso, só para uma foto, mas me sinto fora das normas de gênero.  Dentro de mim, sou andrógena. É uma atração pelo diferente.

Faz parte da sua expressão.pessoal…

Sim. Creio que meus pais queriam que eu fosse menino, não sei se é verdade, mas senti isso; éramos quatro mulheres, eu tinha a função mais masculina dentro do universo feminino da casa,  ajudava meu pai em tarefas consideradas masculinas, de carros, mas gostava de cozinhar, me sentia fora das normas, dos padrões. E parte disso, foi descobrir que havia outra maneira além da conhecida…

O que é normal?

Isso não é muito relevante. É preciso  buscar o que é original, a expressão da diversidade  de cada um. Cada  pessoa é diferente. Na mídia, as louras são populares, negras são feias, os países ricos  são bons; na realidade,  o que admiramos é abominável, os espanhóis, holandeses, guerrearam, mataram, invadiram, colonizaram, exploraram e são os heróis. Temos um jeito vertical de olhar a história.

Na exposição “Eu te desafio a me amar” as imagens fortes, passam certa tristeza, melancolia.

É assim, há sempre a solidão do se sentir diferente. Em 2009, há cinco anos eu estava em uma reunião da minha  escola secundária, 40 anos depois, na  Guatemala, revi muita  gente, foi ótimo, um amigo da época, me olhou e disse:Tu que eras tán linda porque no te casaste? Cabrón! Que mundo tão pequeno que ao mesmo tempo te confronta, que mundo…Estou feliz com minha vida mas isso foi um confronto. Não tenho desejo de ser travesti ou transexual,  mas os acho  incrivelmente corajosos.

Como foi o impacto da exposição no Museu Nacional de  Brasília?

A abertura foi incrível, compareceram pessoas de várias embaixadas, os diplomatas, os travestis, os negros, o pessoal da favela, nunca se viu tanta gente diferente assim reunida. Saíram do armário! Tiveram a coragem de frequentar um museu. Todos os dias haviam muitos visitantes, muita gente, policiais, defensores dos direitos humanos. Depois fiz uma versão menor da exposição na favela da Maré, com oficina, exercícios, muitos choraram…Foi emocionante. E houve a mostra na Anistia Internacional um debate fechado, a Anistia no Rio não tem possibilidade de abrir portas ao público, é perigoso, defendem muitas coisas…

Houve um efeito catártico a partir das fotos?

Acho que sim, tenho várias pessoas que me escrevem…no facebook tem a página do “Eu te desafio a me amar” e muitos querem continuar o projeto. Em  Brasilia, na Maré, o público foi limitado, deveríamos mostrar isso, em tamanho grande, no Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Manaus, em toda parte.  Fazer o projeto crescer, a partir de mostras em várias cidades.

O que não gosta de mostrar, de fotografar…

Gosto de fotografar pessoas… não há nada de que não goste,  mas não gosto de violência, não sou repórter. Gosto da natureza, mas me sinto muito pequena perante ela e sua beleza.

Considera-se uma ativista visual?

Não sei, creio que meu trabalho é mais político, de  reconhecimento da diversidade de toda minha trajetória. Também tem um sentido de crítica a nossa sociedade e uma busca do que está detrás do que aparenta ser. “Nothing is what it seems”.

A gente só é livre quando consegue passar por cima dos preconceitos?

Ah, acho que ajuda sim. Ter a coragem de mudar… O mundo da diversidade existe no planeta, é tão grande. “Temos que nos dar conta de que, todos: o pobre, o mendigo, as prostitutas, os transexuais, os gays, os milionários, eu, você, estamos todos conectados.” Não nos damos conta disso, porque não perceber isso, causa muito sofrimento.

Isso chega atingir algumas pessoas…

Ainda bem! Hoje, um senhor atrás de mim na fila do supermercado, estava me apressando…minha primeira sensação foi de irritação, mas olhei para ele e  vi um velhinho meio aflito com  suas comprinhas,  só isso, aí sorri para ele, ele sorriu de volta.

O importante é…..

Estar consciente da própria pessoa e ter percepção do outro. Vivemos em quadros bastante fechados. Por outro lado…tenho amigos casados que só passam o fim de semana juntos, encontraram  uma forma linda de amar. Não há padrão, como aqueles em que fomos criados, isso fecha e cria muitos rótulos.

A força do seu trabalho está em…

Resumindo e concluindo, creio que é a percepção, é um espelho; eu aceito meu próprio espelho, nem sempre gosto do que vejo, mas encontro algo que sempre existe nas pessoas, isto é, a beleza interior.

*Trechos da entrevista na Revista Caros Amigos

*Fotos da fotógrafa Diana Blok – Margô Dalla