Celinho Silva – O violão é o meu instrumento!

Celinho Silva

Celinho Silva

Em uma tarde fria de maio, no bairro do Joordan -, famoso reduto de intelectuais e artistas em Amsterdã, conversei com o músico e instrumentista Celinho Silva sobre sua trajetória de vida.

Em uma tarde fria de maio, no bairro do Joordan -, famoso reduto de intelectuais e artistas em Amsterdã, conversei com o músico sobre sua trajetória de vida. Foto abaixo Valéria Vilhena

O início
“Desde pequeno gosto de música. Me apaixonei pelo violão desde cedo. Estava sempre atento aos movimentos musicais de minha região. Sou natural de Pernambuco, acho que já nasci com esse “ouvido musical”, com esta facilidade em absorver sons e diferentes ritmos. Com 10 anos de idade eu já estava “literalmente” ligado aos artistas de Recife e Olinda-, cidades berços de músicos geniais e talentosos que tocam pelas ruas e em barzinhos. Isso sempre me fascinou.”

“Minha família mudou-se para João Pessoa na Paraíba e fui tocar na banda do colégio. Meu instrumento era a corneta! Depois passei a ser regente da banda. Tocava desde o prato-, que fica na frente na formação dos músicos, até o trombone que fica no fundo da banda. Fui maestro da Banda da Escola Técnica Federal da Paraíba. Excelentes músicos saíram desta agremiação e foram tocar na Orquestra Sinfônica da Paraíba, na de Pernambuco e em outros grupos importantes. Na Paraíba formei-me em Artes Plásticas e fui professor da Fundação Bradesco.”

Tocando em barzinhos
“A partir daí comecei a me apresentar em barzinhos; fiz parte de inúmeros grupos musicais, toquei teclados em trio elétrico, mas acabei escolhendo o violão que é o meu instrumento-, assim como a minha voz! Toco de ouvido, leio música e acredito que para ser um grande instrumentista, você tem que se apaixonar pelo instrumento escolhido e estudar muito, todos os dias! Tem que ter rotina e dedicação. É preciso intimidade -, no meu caso com o violão, é necessário conhece-lo intimamente para que as melodias possam fluir e sair com um som puro e harmonioso. Eu admiro a minha música e gosto de me escutar! Atualmente tenho um público cativo em algumas cidades da França. Quando anunciam que vou tocar em determinado lugar, a casa enche. Isso me dá muita satisfação porque vejo que estou no caminho certo. Aqui em Amsterdã também estou formando minha platéia. Já tenho alguns seguidores.”

“Prefiro, a princípio tocar em grupo porque um instrumento sempre valoriza o outro. É sempre mágico quando um outro músico chega e a sintonia é perfeita. A

Celinho Silva

Celinho Silva

gente se entende só com um olhar. Essas parcerias me dão muito prazer! Eu acredito em energia e em coisas mágicas e quando toco no palco-, seja lá onde ele for, a música chega de outra maneira, muito diferente de quando eu estou no sofá de minha casa ou no de amigos. Quando subo em um palco com vários músicos, ali, com certeza rola uma energia, é como entrar em transe. Os instrumentos conversam uns com os outros e os olhares entre nós diz muita coisa. É preciso entender os “sinais” desta conversa instrumental, desta cumplicidade e esse compartilhar. É por isso que poucos grupos continuam juntos. Quando acaba a sinergia, acaba o grupo. Muitas vezes, o músico é muito bom, mas a energia não bate e ai o encontro não se dá! Na foto abaixo com o percussionista Alberto Silva em Amsterdã. Foto Henk Schutte.

Quando perguntei para Celinho o que acontece quando ele está tocando e as pessoas conversando, ele disse o seguinte:

“É preciso escolher a música certa e ai então você receberá os aplausos e a atenção do público presente. Gosto de juntar os sucessos atuais com os antigos. Meu repertório é muito vasto e consigo fazer isso facilmente. Às vezes toco uma música que todo mundo sabe cantar e logo depois toco uma que as pessoas não conhecem muito. Faço um novo arranjo e consigo a atenção e os aplausos-, importantes para quem está tocando. Às vezes, o elemento surpresa é importante para cativar a atenção dos presentes. A gente tem que usar o nosso carisma também! Ninguém quer ver uma pessoa no palco de mal com a vida e de cara feia. Tem que entrar no contexto, sorrir e interagir.”

E onde tem se apresentado? O que gosta mais de tocar e cantar e quem é sua inspiração?

“Toco na França, participo de festivais e atualmente, faço alguns shows em Amsterdã. A cada dia percebo e atesto que a música brasileira continua sendo adorada e ovacionada no mundo inteiro. Tem lugar importante no cenário internacional. Minhas preferências são para a música popular brasileira em seus diversos ritmos-, sejam eles samba, bossa nova, forró e ainda passando pela jovem guarda e seus ícones como Roberto Carlos e Erasmo Carlos e gosto de fazer novos arranjos-, eles sempre saem interessante e agradam meu público. No início da minha carreira minha grande inspiração foi Luis Gonzaga – o Rei do Baião e a raiz da minha música sempre foi nordestina com baião, xote, xaxado e outros ritmos daquela região.

A diferença de tocar no exterior e no Brasil

“Tem muita diferença quando a gente se apresenta aqui. No Brasil as pessoas estão te entendendo, estão acompanhando e muitas vezes cantando a música, mas aqui na Europa o público é mais exigente e presta mais atenção na melodia, na forma de você tocar e nos arranjos. Convivo aqui com músicos de orquestras importantes que vão me assistir e que muitas vezes conhecem muitas canções brasileiras como alguns “clássicos” tipo Garota de Ipanema, Chega de Saudade, Corcovado, alguns chorinhos etc…a música brasileira é composta de diferentes elementos, de tendências diversas. É muito rica e sofisticada. Claro que estou falando em músicas inesquecíveis, bem compostas, não no que temos visto por ai. Algumas canções, que fica difícil da gente acreditar o sucesso que fazem com algumas letras duvidosas e de extremo mal gosto.

Margô e Celinho

Margô e Celinho

Sei o que agrada e o que desagrada a minha plateia. Sinceramente, é mais fácil ouvir boa música brasileira aqui na Europa do que no Brasil. Na França, em Amsterdã e outros países deste continente, a gente pode ouvir o melhor! Músicos talentosos vivem aqui propagando as canções brasileiras por onde andam.”

O músico faz de sua profissão uma paixão e leva até seu público emoção e prazer . É a linguagem das emoções. Sabemos que a música tem um grande poder sobre os sentimentos e que existe uma relação dela com a natureza das pessoas e com o que ela está ouvindo.

Quando a gente pensa em um músico que está tocando em um bar, a gente visualiza logo uma pessoa e um banquinho. Conheci o Celinho Silva assim! Entrei em uma casa de shows na França sem saber que um músico brasileiro estava se apresentando. Sentamos e quando comecei a ouvi-lo cantar e tocar, pensei: esse artista é especial!!!|Claro, que quis saber dele e depois entrevista-lo foi o caminho natural. Muitas coincidências nos unem. Amigo de amigo, ex de amiga, atual de amiga…histórias de brasileiros pelo mundo. E agora, esse cidadão brasileiro/europeu, músico virtuoso, arranca aplausos e coloca todo mundo para cantar com ele e seu maravilhoso violão Yamaha, sinônimo de timbre perfeito, um mensageiro musical da boa música brasileira. Celinho tem um filho que estuda artes em São Paulo que também se chama Célio e é fruto de seu casamento anterior. Abaixo com a mulher Valéria Vilhena. Valéria é carioca, terapeuta e trabalha com Constelação Familiar.

Viva Celinho Silva que com seu estilo e talento musical faz uma ponte perfeita entre os povos e suas diversas culturas!

+ fotos